
ALN volta a cobrar necessidade de mudanças nas leis do esporte.
Em entrevista à Folha de PE, deste domingo (25), o Presidente ALN, voltou a cobrar a necessidade de mudanças nas leis do esporte. Confira, na íntegra, a reportagem com o Presidente do Executivo…
Em entrevista à Folha de PE, deste domingo (25), o Presidente ALN, voltou a cobrar a necessidade de mudanças nas leis do esporte.
Confira, na íntegra, a reportagem com o Presidente do Executivo Coral:
<b>FOLHA - Impacto no clube após a morte de Paulo Ricardo</b>
<b>ALN</b> - Para o Santa Cruz, o impacto foi emocional. Foi muito forte em razão da barbárie, da forma brutal como ocorreu o episódio, marcando profundamente todos que dirigem o clube. Se somou a um profundo pesar que nós fizemos questão de externar.
Fui até aconselhado a deixar que dali por diante o Santa Cruz passasse a ser representado em suas falas pelo coronel Flávio Bione (chefe de segurança) ou pelos nossos integrantes do Departamento Jurídico. Mas entendi que o acontecido deveria ser enfrentado por quem representava a torcida do Santa Cruz.
<b>FOLHA PE - Estatuto do Torcedor</b>
<b>ALN</B> - Temos o Estatuto do Torcedor e o estado brasileiro tem que criar condições para que ele seja cumprido e que a torcida seja respeitada. O artigo 11 do Estatuto diz que o clube mandante tem por obrigação comunicar a polícia para que ela dê a cobertura e a segurança interna e externa do evento.
O Santa Cruz contratou para dentro de campo 130 guardas patrimoniais (para o jogo contra o Paraná). Eles ficam nos banheiros, nos principais acessos dos corredores... Aí a lei diz que o dirigente pode ser responsabilizado por possíveis acontecimentos que fiquem até dois quilômetros do estádio.
Mas como você, dirigente de futebol, é responsável por algo que acontece a uma distância dessas lá fora? Nem a polícia, nem o clube e nem ninguém pode ser. A lei penal brasileira é clara: você responsabiliza quem tem culpa. Do contrário, só se houver um nexo causal entre a ação criminosa e a atitude do clube. Se não houver, é incorreto.
<B>FOLHA PE - Alteração nas leis do futebol</b>
<b>ALN</b> - Acho que é preciso aprimorar as leis do futebol. Criar uma polícia especializada para isso. Pernambuco é pioneiro nisso e está de parabéns. O próprio Paulo Schmitt (procurador geral do STJD) disse isso.
A torcida não merece ser punida. Como você pune o torcedor de bem, pacífico, de ver seu time jogar por conta de um marginal? O Brasil precisa se mobilizar. O Batalhão de Choque faz um esforço imenso pra fazer a parte dele, mas eles são treinados para ser uma tropa de choque.
É preciso um aparato de inteligência especializada na área, atuando também dentro das torcidas. Julgamento do Santa Cruz Não foi justo o Santa Cruz ser punido por um crime praticado por bandidos travestidos de torcedores. Tivemos dois azares.
Quando houve aquela briga no ano passado, entre a torcida do Santa Cruz e a do CRB, três dias antes tinha acontecido aquela coisa absurda, na Bolívia, que vitimou o rapaz (morte do torcedor Kevin Espada, atingido por um sinalizador disparado por um torcedor do Corinthians). E o Santa Cruz pegou uma pena (três jogos fora do Arruda) por uma briga que não foi praticamente nada comparada a muitas que vemos por aí.
O STJD estava precisando dar exemplo, aí vai o Santa Cruz e leva pancada. Quando chega agora (caso da morte de Paulo Ricardo, na saída do Arruda), o Santa Cruz foi vítima de novo, em função da proximidade da Copa. O Santa Cruz não merece isso.
<b>FOLHA PE - Interdição do Arruda. </b>
<b>ALN</b> - O Santa Cruz é um clube cujo estádio é orgulho de Pernambuco e da torcida, palco de jogos da Seleção Brasileira. O último no Recife foi aqui (Brasil x China) e o laudo técnico da CBF deu nota 9,5 em organização, condições de espetáculo e acomodações. O clube não merecia ser penalizado (com a interdição).
Paul McCartney mesmo preferiu vir para o Arruda do que para a Arena Pernambuco. E Roberto Carlos fez onde o show dele? No Arruda. Ele não quis ir até a Arena e a produção achou boa a estrutura do estádio. Não escolheriam o Arruda se as condições não fossem boas.
<b>FOLHA PE - Organizadas e suas veias financeiras</b>
<b>ALN</b> - Eles (torcidas organizadas) marcam encontros pelo sites. Se quiser fazer investigação, você pode até pedir à Justiça para grampear o telefone. Grampeia o telefone de Antônio Luiz Neto e vê se tem alguma conversa com a Inferno Coral, dando ingresso, pagando transporte. Não tem. Sem falar que acho que estamos supervalorizando o termo torcida organizada ao pensar nela logo como bandidos.
Existem organizadas aqui formadas por dez, 12 pessoas direitas. Teve gente que era da Inferno e virou empresário, o próprio Tininho (Constantino Júnior, diretor de futebol) foi da Inferno. A legislação brasileira permite a livre associação. Nós já evitamos isso (ajudar financeiramente as organizadas).
Nossos direitos de marca, escudo, bandeira, tudo é de uma empresa (GolStore). É ela que detém os direitos federativos de tudo do Santa Cruz. Acontece que o estado brasileiro tem delegacias especializadas em combater a pirataria. Caberia a essa empresa e não ao clube resolver isso. Mas a GolStore não é polícia e quem deve agir é o Estado. Cortar as veias financeiras das organizadas ajudaria.
<b>FOLHA PE - “O Santa Cruz é vítima”</b>
<b>ALN</b> - Se alguém entrar na sua casa, pular o muro e matar um cara, você será o culpado? Não. Nós fomos vítimas de bandidos. É preciso investigar, prender os criminosos e pôr na cadeia.
<b>FOLHA PE - Finanças prejudicadas pelas organizadas</b>
<b>ALN</b> - Tivemos uma queda na receita. Somando desde o início do ano até agora, o prejuízo chega a R$ 2milhões. Sem falar que isso traz como consequência a irradiação do medo, o afastamento das pessoas de bem que poderiam vir a campo para assistir a um jogo.
<b>FOLHA PE - Marketing e novidades</b>
<b>ALN</b> - Pernambuco ainda não tem tradição com patrocínio. Isso é um assunto controverso. Quando as críticas sobre o marketing começaram, eu disse ao Luiz Henrique (diretor de marketing do clube) que ele tinha carta branca daminha gestão e pedi para criarem um conselho gestor de marketing.
Eles estão tentando captar recursos e posso dizer que estamos avançados em uma negociação para que o Santa Cruz faça a reforma no Arruda para construir aqui na frente do estádio um centro de compras.
O CT também está dentro desse pacote, mas nós temos uma cláusula de confidencialidade que precisamos ficar de bico calado. Isso vai marcar o ano do centenário.

