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Pedro e o amor incondicional

Ele é piauiense, chegou ao Recife em 1970, e quando escutava jogos pelo rádio, ouviu um locutor se referir ao “time do santa Cruz”. Ali mesmo sentiu – “esse é meu time”.

Amou o Santa antes de ver.

Estudante, morador de Casa do Estudante, chegou a pular os muros do Arruda, porque não tinha dinheiro para o ingresso.

No dia 29 de junho de 1976, dia do seu aniversário (e dos santos  Pedro e Paulo), ganhou um presente inimaginável – um título de “Sócio Patrimonial” do clube. Era só o começo de uma história de amor incondicional ao Santa.

Pedro Paulo dos Santos, hoje com 67 anos, pode passar horas falando do Santa, porque vive intensamente as três cores.

No final do ano passado, repetiu o ritual de muitos anos. Vamos às contas (como ele paga antecipadamente e à vista, os cálculos têm já os descontos):

Conselheiro (R$ 150,00 por mês): R$ 1.500,00.

Sócio Patrimonial (R$ 30,00/mês): R$ 324,00.

Três filhos sócios (R$ 30,00 cada/mês): R$ 972,00

Cinco cadeiras cativas (R$ 485,00 cada/ano): R$ 2.425,00

Total: R$ 5.221,00.

“Minha mulher diz que sou amigado com o Santa Cruz. Fora os jogos, todo sábado estou aqui”, diz, enquanto dá mais uma olhada atenta aos troféus que estão na Sala da Memória Dirceu Paiva, onde é presença obrigatória.

Timemaníaco

Semana passada, ele foi buscar duas camisas que ganhou da Troça Ofídica Minha Cobra, por ter sido o torcedor coral que mais apostou na Timemania, em dezembro de 2016, quando o Santa precisou do apoio da torcida para ficar entre os 20 primeiros colocados.

“Sozinho, ele fez 320 jogos”, explicou Esequias Pierre, integrante da Minha Cobra, e voluntário na manutenção da Sala da Memória.

Pedro aproveitou e comprou mais seis camisas da troça (6 x R$ 30,00 = R$ 180,00).

“Vou usar no Carnaval de Itamaracá”, diz, com um largo sorriso.

Mas tudo parece pouco para Pedro. Chega a fazer 240 apostas mensais na Timemania.

“Eu mesmo vou lá e faço”, conta.

Achou muito?

A cada jogo, Pedro compra de 10 a 20 ingressos e sai distribuindo para quem não tem muitas condições financeiras. Deve lembrar da época em que teve que pular o muro para ver os jogadores corais em campo.

“Lá no prédio não dá pra nada. É o pessoal da limpeza, ascensorista, todo mundo quer”.

Os que não distribui, guarda. Por conta disso, tem mais de 200 ingressos em casa, que nunca foram usados.

Família em três cores

Pai de quatro filhos, Pedro comemora uma saudável combinação de cores no convívio familiar – as cores do Santa.

“Além dos filhos, dois netos, o genro, a família do genro, tudo é tricolor. Até o avô, de 95 anos, vai para o Arruda de cadeira de rodas”, conta. 

O neto de dois anos, que se chama Pedro, torce por qual time?

“Ele é doido pelo Santa”.

A neta de sete anos, torce por qual time?

“Que pergunta... Tu achas que eu ia ter uma neta sem ser Santa Cruz?”

Enquanto conversa sobre seu tema predileto (o Santa), Pedro puxa o celular e mostra fotos dos lugares por onde andou com a camisa do... Santa.

Aparecida do Norte (SãoPaulo). Santiago de Compostela (Espanha). Nossa Senhora de Fátima (Portugal). São Francisco das Chagas. A lista é grande.

Mesmo ajudando tanto o clube, seja pagando tudo antecipadamente as mensalidades, apostando semanalmente na Timemania, comprando ingressos a mais para distribuir, ele segue apenas seu pensamento – o amor incondicional

“Eu sou diferente. Não quero nada em troca. É uma relação de amor que está acima de qualquer coisa”.

Sobre o novo elenco, que está sendo montado, ele tem acompanhado atentamente.

“Me surpreendeu o time que está surgindo. Acho que vamos ter um ano muito bom”, diz, com um largo sorriso.

 

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