Seja também um sócio

Somos 10 torcedores

Meta 20.000

Jogos Inesquecíveis

Marcado na memória

Quando uma partida ultrapassa os limites do fato histórico para se transformar em lenda? Quando é decidida no último minuto ou quando o time se supera para evitar uma derrota que parecia inevitável? Por que a vitória é construída com um futebol impecável ou, ao contrário, por que a garra se sobrepõe á superioridade técnica do adversário?

Para a torcida do Santa Cruz, um jogo vai além da história quando ninguém o esquece: quem estava lá, não para de contar como viveu tanta emoção. Quem não estava, repete para os que vieram depois. Aqueles que nem sonhavam em nascer, imaginam as jogadas como eles podem ou devem ter acontecido e, ao fazer sua própria narrativa, confunde sonho, memória e realidade.

Na história de qualquer clube de futebol centenário, são incontáveis as partidas lendárias. Alguns dos 10 jogos abaixo sequer decidiram campeonato, muitos foram simples amistosos. No entanto, foram fundamentais a forjar a identidade do clube e da sua torcida. E, hoje, ajudam a compreender sua história.

SANTA CRUZ 2 X 1 BETIM (3 DE NOVEMBRO DE 2013, NO ARRUDA)

O Santa Cruz estava prestes a deixar para trás o pior momento de sua história. Já havia vencido o jogo de ida por 1 x 0, no interior de Minas Gerais. Bastava um empate. Por isso, a ansiedade já havia começado a tomar conta do Recife dias antes do jogo. Os ingressos esgotaram-se rapidamente. O Arruda lotou muito antes do horário marcado. Apesar do Santa controlar a partida, o ambiente no estádio era de um nervosismo sufocante. André Dias abriu o marcar e a multidão explodiu. Minutos depois, o adversário empatou. A multidão calou. Era o receio de uma nova decepção. O silêncio, no entanto, durou pouco: mais de 60 mil vozes passaram a empurrar o time que selou a vitória minutos antes do final, com gol do carsimático e improvável herói Flávio Caça-Rato. Foi uma catarse que emocionou o Brasil.

Santa Cruz 7 x 5 América (15 de abril de 1917, no campo da avenida Malaquias)

Faltavam 15 minutos para acabar a partida da terceira rodada do campeonato de 1917 e o placar era incontestável: o América vencia por 5 x 1, quatro gols marcados no primeiro tempo e um logo no início do segundo. A partir daí, os atacantes Pitota e Anízio trocaram de posição e enlouqueceram a defesa alviverde, fazendo seis gols na maior virada da história do futebol pernambucano.

Santa Cruz 3 x 2 Botafogo (30 de janeiro de 1919, no campo da avenida Malaquias)

Três vezes campeão do Rio de Janeiro, o Botafogo era uma potência em 1919. Por isso, foi convidado para fazer uma excursão e seis jogos em Recife. No primeiro, deixou claro que não veio brincar: 6 x 1 no Sport. A invencibilidade, porém, acabou quatro dias depois, quando foi derrotado pelo Santa, com gol do artilheiro Tiano (Martiniano Fernandes). Foi a primeira vitória de um time nordestino sobre um do eixo Rio-São Paulo.

Santa Cruz 3 x 2 Seleção Brasileira (10 de outubro de 1934, no campo da avenida Malaquias)

Com praticamente o mesmo time que disputou a Copa do Mundo da Itália, incluindo as estrelas Leônidas da Silva, Waldemar de Brito e Patesko, a Seleção Brasileira fazia uma excursão repleta de goleadas pelo Nordeste. Já havia feito oito gols no Bahia e no Náutico, cinco no Sport e também na seleção de Pernambuco. Entrou em campo para manter a escrita contra o Santa Cruz de João Martins, Zezé Fernandes, Sebastião da Virada e Tará (os quatro primeiros da esquerda ara direita), mas, pela primeira vez na história, perdeu para um time brasileiro. Os históricos gols corais foram marcados por Zezé (2) e Sidinho.

Sport 2 x 3 Santa Cruz (16 de março de 1958, na Ilha do Retiro)

Há uma década o Santa Cruz não era campeão. O fim do jejum foi tão sofrido que o campeonato de 1957 só terminou em março do ano seguinte. E foi decidido pelos três maiores times da capital em três partidas. Na última delas diante de 30 mil pessoas, contra o Sport, o time do povo entrou com a vantagem do empate. Fez 2 x 0, em 18 minutos de jogo e ampliou no início do segundo tempo. Parecia fácil, mas virou drama quando o adversário fez dois gols em apenas sete minutos. Nos últimos 15 minutos, o goleiro Aníbal fez milagres e a torcida tomou conta das ruas.

Sport 0 x 2 Santa Cruz (15 de agosto de 1973, na Ilha do Retiro)

Depois de 34 jogos, tudo parecia caminhar para um pentacampeonato invicto, tão fácil quanto o tetra. Era só vencer o Sport na última partida, mas o Santa vacilou e permitiu a realização de uma partida extra na Ilha do Retiro. Brilhou então a estrela do artilheiro Ramón: ele fez um gol logo no começo do jogo, os corais dominaram o jogo e só foram tomar um susto aos 30 do segundo tempo. No final, mais um gol de Ramón.

Flamengo 1 x 3 Santa Cruz (4 de outubro de 1975, Maracanã)

Foi um jogo decisivo para que o Santa chegasse às semifinais do campeonato brasileiro daquele ano. O time tricolor surpreendeu o poderoso Flamengo de Zico no Rio de Janeiro com dois gols de Ramón e um de Vôlnei. Para se ter ideia da importância do resultado, naquela fase os dois times empataram em número de pontos, mas o Santa classificou-se graças a um gol a mais de saldo.

Paris Saint-Germain 2 x 2 Santa Cruz (1º de abril de 1979, Paris)

Foram 11 partidas em seis países (Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Romêmia) e o Santa estava invicto, com apenas um empate contra a seleção do Kuwait e uma expressiva vitória contra a seleção romena. O mais difícil ficou para o final. Na volta por Paris, o Santa enfrentou o Paris Saint-Germain, um dos mais tradicionais times franceses, e arrancou o empate em 2 x 2.

Santa Cruz 2 x 1 Náutico (28 de julho de 1993, Arruda)

O Santa Cruz chegou à decisão na vantagem, bastando dois resultados iguais, mas a sorte mudou logo no primeiro jogo, perdido por 0 x 1. Na segunda partida, mais um gol alvirrubro no primeiro tempo e expulsão do artilheiro do Santa. Parecia que tudo daria errado, até que o Santa empata faltando sete minutos e vira o jogo no último lance. Milhares de torcedores que já tinham ido embora voltaram correndo a tempo de ver a volta olímpica.

São Caetano 0 x 1 Santa Cruz (15 de novembro de 1999, estádio Anacleto Campanella)

Não foi essa partida que levou o tricolor de volta à Série A, mas foi a que mudou o rumo daquele campeonato. O Santa classificou-se na última vaga do mata-mata graças a uma série de resultados impossíveis. O São Caetano era o melhor time da competição, mas sofreu um gol depois de uma confusão na área no início do segundo tempo. O time segurou o resultado e passou ao quadrangular final.

Santa Cruz 2 x 1 Portuguesa (26 de novembro de 2005, Arruda)

Na última rodada do quadrangular final da Série B, todos tinham chances de subir: Santa Cruz, Grêmio, Portuguesa Desportos e Náutico. Para o Santa, bastava vencer. Tudo foi decidido em apenas um tempo: o time paulista abriu o placar com um gol de pênalti e calou quase 70 mil pessoas, mas Reinaldo virou o jogo aos 38 e aos 40 minutos do segundo tempo. O Arruda explodiu de felicidade e a festa espalhou-se pela cidade.

 

Top